Friday, November 18, 2005

Teorias acerca da Sociedade da Informação

O autor Fritz é o primeiro a quantificar as actividades de produção e distribuição da informação em 1962.
Todavia, data de 1977 a construção de um modelo, efectuado por Porat convidado pela Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económicos, com o intuito de organizar uma classificação dos países membros no percurso que conduz à «sociedade da informação».
O filósofo Bernard Stiegler afirma que “(...) a informação é uma mercadoria cuja memória é perecível por definição; abre uma nova forma de temporalidade que contrasta com a do tempo de elaboração da saber.”.
Condorcet e Lewis Mumford evocam que “cada meio de comunicação é portador de uma nova civilização” e ainda o Harold Innis “tenta demonstrar como é que a tecnologia da comunicação determinou as formas de poder e, mais particularmente as formas da dominação imperial”. As desigualdades na velocidade das comunicações levam à criação de «monopólios de informação». A comunicação distingue-se em diferentes idades; a idade da comunicação natural, oral e gestual; a idade do pensamento mágico e do tribalismo; a idade da tirania da visão, iniciada pela escrita alfabética e pela imprensa e a idade da transmissão electrónica que consagra o regresso de toda a gama sensorial.

Referência Bibliográfica:
MATTELART, Armand - História da Sociedade da Informação. Lisboa: Editorial Bizâncio, 2002.


Por: Tânia Patrícia Silva Alves

Livros & Livros Limitados

Portugal é um país em estado de crise e onde a situação do livro e da indústria editorial se apresenta cada vez mais precária.
Somos um país com poucos hábitos de leitura , tal como se pode verificar através de inquéritos realizados aos portugueses pela APEL, dos quais se pode concluir que apenas 45% da população lê livros, isto porque os níveis económicos e culturais do nosso país são baixos, mas também porque não existe poder de compra por parte da classe social mais afectada financeiramente.
Os portugueses que lêem muito constituem a chamada elite cultural, e normalmente são educados em famílias abastadas onde predomina o livro e o gosto pela leitura.
Esta situação pode explicar-se pelo facto destas famílias mais abastadas se concentrarem no litoral e onde se localizam a maior parte de livrarias, pois só Lisboa detém 60% do volume anual de vendas. Em contrapartida, existem concelhos que não têm uma única livraria e geralmente é nestes pequenos centros que se localiza a classe social com mais dificuldades económicas.
Outro factor consiste no imperfeito sistema escolar, a par deste sistema escolar encontra-se a escassez de bibliotecas em Portugal, tal como o artigo indica, apesar das bibliotecas públicas terem melhorado relativamente, a escassez de uma rede de bibliotecas escolares continua a predominar e é certo que as bibliotecas públicas não substituem de forma alguma as bibliotecas escolares e não apresentam os mesmos objectivos para os alunos.
Se o problema do analfabetismo se encontra claramente mais positivo, o mesmo não se poderá dizer da iliteracia que continua a ter índices bastante elevados.
A esta crise estrutural alia-se também a crise conjuntural, ou seja, as más condições em que se encontram as editoras portuguesas, dado que muitas delas declaram constantemente falência, uma das causa apontadas para esta situação é o facto de se terem implementado em Portugal distribuidores espanhóis.
O início da realidade da indústria do livro português foi bem diferente da dos países europeus, regíamo-nos pela escassa produção editorial, no entanto possuíamos grande sobriedade, os livros eram exibidos em salas sob a forma de filas infinitas, não possuíamos os livros essenciais numa biblioteca e as livrarias não fruíam de espaços suficientes de armazenamento, esta última condição é ainda hoje verificável.
Actualmente, esta situação alterou-se completamente, não que estejamos de igualdade com os restantes países europeus, mas a nossa condição modificou-se consideravelmente.
Hoje, o que sustenta a edição em Portugal são as novidades que rapidamente são consumidas e não param de aumentar.
Segundo as estatísticas de 1998 efectuadas pela APEL, foram publicadas 9196 monografias, das quais 6338 equivaliam a novos títulos, é portanto normal que, as livrarias não tenham capacidade para albergar tantas novidades, assim como armazená-las e criar fundos.
As novidades são livros divulgados e publicados com menos de um mês e meio, e o qual tem relativamente um mês e meio para “mostrar o que vale”, caso contrário se não tiver sucesso começa a ausentar-se das livrarias, deste modo, nenhum editor em Portugal tem condições para apostar em livros que têm uma produção cara e que levem muito tempo a ser vendidos.
As produções têm conteúdos cada vez mais semelhantes, sendo raras as traduções e ensaios, e estudos no campo das ciências sociais e humanas, assim como é rara a literatura em geral. Muitas vezes o «best-seller» ocupa 50% do total das vendas, constituindo o designado “fenómeno da bicicleta: quanto mais velocidade se adquire, mais necessário é pedalar para manter o equilíbrio, isto é, um mercado que se sustenta de novidades precisa de estar sempre a produzi-las”.
Ainda segundo as estatísticas de 1998, ao aumento significativo de títulos publicados segue-se uma diminuição de reedições.
A indústria editorial e o mercado do livro foram discutidos publicamente aquando do estabelecido preço fixo do livro, nesta altura já nos deparávamos com a ameaça dos hipermercados , que detinham grandes espaços para a comercialização do livro e executavam descontos que nenhuma livraria podia operar.
As grandes superfícies começam a dominar o mercado livreiro e as livrarias tradicionais vêem-se obrigadas a acompanhar as novas condições impostas por estas superfícies. As
pequenas editoras, sobretudo as mais especializadas também começam a ter dificuldades de sobreviver.
As livrarias e as pequenas editoras vêem a sua situação mais agravada pela abertura das FNAC’s, que para os editores e livreiros constituem uma fonte de riqueza, pois garantem grandes volumes de vendas e pagam nos prazos estabelecidos.
È ainda de salientar, as feiras do livro que cada vez mais chamam a atenção dos leitores, estes por sua vez deixam de frequentar as livrarias quando decorrem as feiras do livro.



Referência Bibliográfica:
GUERREIRO, António – Livros & Livros Limitados. Jornal Expresso. (13 Abril 2001).

Por: Tânia Patrícia Silva Alves